Volkswagen corta 50 mil vagas na Alemanha e promete manter produção intacta no Brasil
Para quem fornece à cadeia automotiva, a aposta declarada da matriz alemã na produção brasileira é sinal de continuidade de contratos num setor que corta em outras praças.
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A Volkswagen vai fechar quatro fábricas na Alemanha e cortar 8% do quadro global de funcionários, o equivalente a 50 mil demissões, segundo reportagem do Estadão publicada nesta sexta-feira (30). Em entrevista à imprensa brasileira, Kai Grünitz, membro do conselho da marca Volkswagen, afirmou que o Brasil está fora desse corte: "Nosso plano é investir em desenvolvimento e produção cada vez mais localizada nas regiões. E, se queremos fazer isso, não tem sentido ter uma estrutura tão ampla na Alemanha e cortar emprego em países como o Brasil", disse o executivo.
Para quem fornece peças, componentes ou serviços à cadeia automotiva brasileira, o sinal é de continuidade: a montadora mantém as linhas na Anchieta, em Taubaté (SP), em São José dos Pinhais (PR) e a produção de motores em São Carlos (SP), sem anúncio de redução de quadro ou de capacidade. Isso pesa no planejamento de contratos de médio prazo com fornecedores locais, numa cadeia que costuma sofrer o primeiro impacto de qualquer corte global.
O argumento da Volkswagen é operacional, não só político: a montadora vendeu 350,6 mil carros no Brasil até setembro de 2026, alta de 16,3% sobre o mesmo período do ano passado, o suficiente para manter a vice-liderança em emplacamentos. O centro de engenharia e design local já lidera projetos globais, caso do Nivus e da picape Tukan, ainda sem lançamento no País mas com produção internacional prevista a partir daqui.
Grünitz atribui a crise europeia à concorrência chinesa e à exigência de produtos localizados, citando que o tempo de desenvolvimento de um carro, hoje acima de 52 meses na Volkswagen, precisa cair para perto dos 18 meses praticados por rivais chineses. Fica em aberto se esse ajuste de velocidade também vai pressionar prazos e margens dos fornecedores brasileiros nos próximos ciclos de produto.
Fonte: Estadão — Economia
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