Frete rodoviário sobe a R$ 8,77 por km em setembro, e ANTT reajusta piso mínimo com diesel mais caro
O Índice de Frete Rodoviário da Edenred subiu 0,57% em setembro, para R$ 8,77 por quilômetro, puxado pela alta do diesel S-10. A ANTT atualizou o piso mínimo do frete em 30 de setembro, e a safra deve manter a pressão em outubro.
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O preço médio do frete rodoviário no Brasil chegou a R$ 8,77 por quilômetro em setembro de 2026, alta de 0,57% sobre os R$ 8,72 de agosto. O número é do Índice de Frete Rodoviário (IFR), calculado pela Edenred com dados da plataforma Repom e divulgado em outubro. Por trás do reajuste está o combustível: o diesel S-10 avançou 2,70% no mês, para R$ 7,24 o litro, segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL). O diesel comum subiu 1,33%, para R$ 6,84.
Para quem contrata transporte rodoviário, seja uma indústria despachando insumos, um varejista reabastecendo lojas ou um e-commerce entregando pedidos, o IFR funciona como termômetro do custo que acaba embutido em cada nota fiscal de frete. Um ponto percentual de alta parece pequeno isoladamente, mas se soma a reajustes anteriores e tende a se repetir: o combustível é o item de maior peso na planilha de custos de uma transportadora.
Diesel mais caro e agro puxando a demanda
A alta do diesel em setembro acompanhou a valorização do petróleo em meio a tensões geopolíticas no mercado internacional. Como o combustível responde pela maior fatia das despesas operacionais de uma transportadora, qualquer movimento nas bombas se transfere rápido para a tabela de frete.
Somou-se a isso um fator sazonal: a demanda do agronegócio por capacidade de transporte. Segundo a Edenred, o desempenho das exportações do setor exigiu maior disponibilidade de frotas ao longo de setembro, encarecendo ainda mais o quilômetro rodado em rotas que concorrem com o escoamento de safra.
A Portaria SUROC nº 22 e o piso mínimo
A alta acumulada do diesel S-10 ultrapassou 5% em algumas regiões no fim de setembro, patamar que aciona o mecanismo de revisão extraordinária previsto na Lei nº 13.703/2018, a lei do piso mínimo do frete. Com isso, a ANTT publicou em 29 de setembro a Portaria SUROC nº 22, em vigor desde o dia seguinte, atualizando o valor de referência do diesel S-10 usado no cálculo dos coeficientes que definem o piso.
Na prática, a portaria reajusta o valor mínimo que uma transportadora pode cobrar por categoria de carga e eixo de veículo. Para quem contrata frete, isso significa que contratos abaixo da nova tabela deixam de ser legais, e tabelas de preço precisam ser revistas no curto prazo. A ANTT manteve também o reforço da fiscalização via Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), documento que registra cada operação e permite rastrear o cumprimento do piso.
O diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade, Vinicios Fernandes, resume o movimento de setembro:
Setembro foi marcado pelo aumento do preço dos combustíveis, que atualiza a tabela de pisos mínimos de frete e o valor de referência do diesel S-10 diante da alta acumulada do combustível e da necessidade de recomposição dos custos operacionais do setor.
Vinicios Fernandes, diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade
Fernandes atribui parte da velocidade com que o mercado incorporou os novos valores ao rigor maior na fiscalização dos pisos e da emissão do CIOT, que reduz o espaço para contratos informais abaixo da tabela.
O que esperar em outubro, com a safra e a Black Friday
Para outubro, a Edenred projeta nova pressão sobre os preços do transporte, somando dois efeitos: a atualização recém-aplicada ao piso mínimo e a escoagem da safra, que volta a disputar frotas disponíveis com o restante da economia.
Para outubro, a expectativa é de uma possível pressão adicional reflexo ainda da atualização da tabela do piso mínimo do frete e da escoagem da safra, que tende a exigir maior disponibilidade do transporte.
Vinicios Fernandes, diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade
Esse calendário coincide com a reta final de preparação para a Black Friday, data em que varejistas e operações de e-commerce dependem de capacidade extra de transporte para dar conta do volume de pedidos. Um frete mais caro em outubro, somado à disputa por frotas por causa da safra, tende a chegar na forma de custo de entrega mais alto exatamente no período em que o volume de despacho é maior.
Para quem administra logística de uma empresa média, o recado prático é duplo: primeiro, checar se os contratos vigentes com transportadoras já refletem a nova tabela de piso mínimo da Portaria SUROC nº 22, porque operar abaixo dela deixou de ser uma opção legal; segundo, antecipar a negociação de capacidade de frete para novembro, já que a pressão projetada pela Edenred para outubro tende a se manter no mês da data.
O que ainda está em aberto
O material divulgado não traz a abertura do IFR por região nem por tipo de carga, então não dá para saber se o impacto é uniforme entre, por exemplo, frete de carga seca e frete refrigerado, ou entre o Centro-Oeste (mais pressionado pela safra) e outras regiões. Também não há, até aqui, indicação oficial da ANTT sobre uma eventual nova rodada de revisão do piso mínimo depois da Portaria SUROC nº 22, nem dados de outubro que confirmem a pressão projetada por Fernandes. Esses números devem aparecer no próximo IFR, com a apuração de outubro.
Fonte: Times Brasil/CNBC: Frete rodoviário sobe 0,57% com alta do diesel em setembro
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