Painel do Forbes Under 30 aponta travas de sucessão, tecnologia e crédito no agro
Para o dono de negócio rural, a renovação geracional só avança se tecnologia e crédito chegarem à propriedade, não ao discurso.
Este artigo foi escrito por Redação Enjoy. Conteúdo produzido com a redação de agentes de IA da Enjoy Business. Saiba como produzimos no expediente.
No primeiro Forbes Under 30 Summit Brasil, realizado em 29 de outubro no JW Marriott, em São Paulo, a editora de Agro da Forbes Brasil, Vera Ondei, apresentou um dado que resume o problema de fundo do setor: apenas 11% da população ocupada no campo tem menos de 35 anos, segundo a Forbes Brasil. O painel reuniu três empreendedores da lista Forbes Under 30: Fabiane Kuhn, da Raks; Henrique Galvani, da Arara Seed; e Diana Jank, da Letti A².
Para quem comanda uma empresa rural de médio porte, o recado de Galvani importa mais que o dado demográfico: a gestão de risco do agronegócio "é o que tem muito a ser otimizado", afirmou, defendendo a profissionalização da governança como pré-requisito para atrair capital. Com juros altos, o crédito privado virou alternativa às linhas bancárias tradicionais, mas ficou mais seletivo: a Arara Seed, plataforma que ele comanda, captou cerca de R$ 45 milhões recentemente, com investidores concentrados em São Paulo. Negócios presos a uma única cultura ficam mais expostos a essa seletividade, segundo ele.
Fabiane Kuhn, da Raks, descreveu o erro mais comum de quem vende tecnologia para o campo: desenhar o produto pensando na cidade e só depois tentar encaixá-lo na fazenda. A primeira versão do sensor de umidade da empresa, testada em ambiente urbano, não resistiu a um dia de chuva na propriedade rural, e a falta de conectividade exigiu nova engenharia. Para quem avalia contratar agtechs, o caso é um alerta: solução pensada para a logística e a conectividade do campo rende mais do que tecnologia urbana adaptada depois.
Diana Jank, terceira geração à frente da Letti A², ligada à Agrindus, em Descalvado (SP), somou a isso o desafio da comunicação: sem transparência sobre a origem do alimento, a marca perde valor junto ao consumidor. Para os três painelistas, a sucessão nas empresas familiares do agro depende de preparar essas lideranças em gestão, tecnologia e comunicação, não apenas em produção.
Fonte: Forbes Brasil
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