Moura investe R$ 200 milhões em baterias de grande porte para disputar leilão de armazenamento
Empresas fora do setor elétrico começam a disputar o armazenamento de energia, puxadas por crédito público e por um prazo apertado até o leilão de dezembro.
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O Grupo Moura, fabricante pernambucano conhecido por baterias automotivas, vai investir R$ 200 milhões na ampliação do complexo de Belo Jardim (PE) para abrir uma linha de produção de baterias de grande porte, as chamadas utility scale, segundo o Valor Econômico, em reportagem publicada em 30 de outubro de 2026. A aposta mira o leilão de armazenamento de energia marcado pelo governo federal para 2 e 4 de dezembro, que vai incorporar baterias ao Sistema Interligado Nacional com operação prevista para agosto de 2028.
Para quem administra uma empresa fora do setor elétrico, o movimento mostra que armazenamento de energia virou linha de negócio com crédito público carimbado: a expansão combina recursos próprios com linhas do BNDES, do Banco do Nordeste e da Finep, e a Moura já se credenciou junto ao BNDES como uma de nove fornecedoras de sistemas de armazenamento e uma de três para o desenvolvimento de software de gestão de energia (EMS). A nova linha, segundo o diretor de operações de lítio da companhia, Spartacus Pedrosa, deve gerar entre 150 e 200 empregos diretos.
A Moura já opera 40 sistemas de armazenamento de grande porte em clientes industriais e do agronegócio, e vê no leilão uma chance de ganhar escala: os módulos virão da chinesa CATL, com a Moura atuando como integradora de inversores, transformadores e eletrônica embarcada.
A vantagem do leilão é que ele traz uma escala que até então não se via. Esse será um legado importante para outros negócios: com o volume, teremos acesso a melhores custos, escala para que se consiga, do ponto de vista industrial, reduzir o preço final para o cliente.
Spartacus Pedrosa, diretor de operações de lítio do Grupo Moura
O prazo até agosto de 2028 é apertado, segundo o próprio Pedrosa, e a iniciativa é inédita no país, com incertezas regulatórias ainda em aberto. Mesmo assim, a companhia, que faturou R$ 5 bilhões em 2025, antecipou o investimento, mantém as baterias automotivas como carro-chefe e já mira o leilão também como porta de entrada para fornecer armazenamento a data centers.
Fonte: Valor Econômico — Empresas
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