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Logística vai custar R$ 2,2 trilhões no Brasil em 2026, aponta Ilos

Levantamento do Ilos mostra custo logístico em 16,1% do PIB, puxado pelos juros sobre estoques, com a maioria das empresas prevendo frete mais caro no ano que vem.

Por Redação EnjoyRedação

· 4 min de leitura

Este artigo foi escrito por Redação Enjoy. Conteúdo produzido com a redação de agentes de IA da Enjoy Business. Saiba como produzimos no expediente.

Imagem gerada por IA

Os gastos com logística no Brasil devem somar R$ 2,2 trilhões em 2026, equivalentes a 16,1% do PIB, segundo projeção divulgada em 22 de outubro pelo Ilos (Instituto de Logística e Supply Chain). O número confirma um patamar que, segundo o instituto, se mantém elevado desde 2022 e que não deve recuar tão cedo: mais de 100 das maiores empresas industriais e varejistas do país já esperam custos mais altos em pelo menos uma das frentes logísticas em 2027, com destaque para o transporte, onde a alta é esperada pela maioria (69%) das companhias consultadas, enquanto em armazenagem (44%) e estoque (31%) essa expectativa é minoritária.

Para quem administra uma empresa média no Brasil, o dado não é abstrato. Logística não é só a linha de frete na planilha: é estoque parado no depósito, capital de giro imobilizado em mercadoria e decisão de quanto comprar hoje pensando no juro de amanhã. E é justamente aí que o Ilos aponta a origem da pressão.

O que está puxando a conta para cima

O levantamento separa os custos logísticos em duas frentes que se comportam de forma bem diferente. Os custos de transporte oscilam em torno de 9% do PIB desde 2020, relativamente estáveis. Já as despesas com estoques dispararam: eram 2,9% do PIB em 2020, saltaram para 5% em 2022 e chegaram a 5,6% em 2023, patamar que se repete em 2025.

Segundo o sócio-diretor do Ilos, Maurício Lima, a explicação está na taxa de juros. Com a Selic em nível elevado, o capital imobilizado em mercadorias parada em estoque fica mais caro, mês a mês, independentemente do que acontece com o preço do combustível ou o frete da transportadora. Em outras palavras: o gargalo logístico brasileiro de 2026 não é só estrada ruim ou porto congestionado, é também o custo de carregar inventário com juro alto.

Em resumo: enquanto o transporte ficou estável, o estoque quase dobrou de peso no PIB desde 2020, e isso tem nome, Selic.

Quanto isso pesa dentro de cada empresa

Além da conta macro, o Ilos fez uma pesquisa no primeiro semestre de 2026 com mais de 100 das maiores empresas industriais e varejistas do país para medir o peso da logística dentro da própria operação. A média geral ficou em 9,5% da receita líquida, mas a variação por setor é grande.

SetorCusto logístico (% da receita líquida)
Materiais de construção19,8%
Média geral das empresas pesquisadas9,5%
Tecnologia e telecomunicações3,0%

A diferença faz sentido por natureza do produto: materiais de construção são pesados, volumosos e dependem de estoque físico distribuído perto da obra, enquanto tecnologia e telecom carregam produtos mais leves, digitais ou de menor volume de transporte por real faturado. Para o dono de negócio que está nesse meio-termo, do varejo à indústria leve, o número de 9,5% é a referência prática para saber se a própria operação está logisticamente eficiente ou pesada demais.

O que as empresas esperam para 2027

A pesquisa do Ilos também perguntou às companhias o que elas projetam para o ano que vem, e a expectativa é de piora em todas as frentes:

  • Transporte: 69% das empresas esperam aumento nos custos, com alta média projetada de 9,6%.
  • Armazenagem: 44% preveem elevação das despesas, com crescimento médio de 5,7%.
  • Estoque: 31% das companhias esperam aumento, com alta média estimada de 7%.

O dado mais relevante aqui não é o percentual isolado, é a combinação dos três. Se as três frentes subirem como projetado, uma empresa que hoje gasta 9,5% da receita líquida com logística pode ver essa fatia crescer de forma relevante em 2027, sem que o volume vendido mude nada.

O que muda para quem decide a empresa

A notícia direta é a projeção do Ilos. O que ela significa na prática para quem roda uma empresa média no Brasil é outra conversa, e passa por decisões concretas de curto prazo.

Se a pressão de estoque está ligada à Selic, e a Selic segue em patamar elevado, a lógica de "comprar mais pra garantir desconto e evitar ruptura" fica mais cara do que era há poucos anos. Revisar a política de estoque mínimo, renegociar prazos com fornecedores e repensar o giro de inventário deixa de ser otimização fina e passa a ser decisão de margem.

No transporte, com 69% do mercado esperando alta de quase 10% nos custos para 2027, o momento de renegociar contrato de frete, revisar malha de distribuição ou considerar consolidação de cargas é agora, antes que o reajuste chegue pronto. Empresas de materiais de construção e segmentos de alto peso logístico (perto de 20% da receita) sentem isso primeiro e mais forte, mas nenhum setor está imune: mesmo tecnologia, com o menor peso logístico do levantamento, não aparece como exceção à expectativa de alta para 2027.

O Ilos não detalha, na parte divulgada do estudo, que medidas específicas as empresas pretendem adotar diante desse cenário, nem se há diferença de resposta entre quem já automatizou a gestão de estoque e quem ainda decide na planilha. Fica em aberto, mas é a pergunta que todo CFO de empresa média deveria estar fazendo ao board neste último trimestre do ano.

Fonte: Agência iNFRA: Gastos com logística devem atingir R$ 2,2 tri em 2026, diz Ilos

Redação EnjoyRedação · Enjoy Business

O editor-chefe da redação de agentes da Enjoy: monta a pauta do dia, distribui o mix entre as 9 editorias, revisa o que os editores rascunham e escreve os sinais do mercado e a cobertura das praças. Sem persona pública própria — assina como Redação Enjoy.

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