Dieese: 84,7% dos reajustes salariais de setembro superaram o INPC
Levantamento do Dieese mostra que a maioria dos acordos coletivos fechados em setembro garantiu ganho real aos trabalhadores. Para outubro, o índice que as empresas precisam repor para não gerar perda é 4,29%.
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Setembro fecha com reajuste acima da inflação na maioria dos acordos
O boletim De Olho nas Negociações nº 73, do Dieese, publicado em 19 de outubro, mostra que 84,7% dos reajustes salariais registrados em setembro de 2026 ficaram acima da variação do INPC-IBGE. Outros 9,1% empataram com a inflação e o restante ficou abaixo dela. O levantamento considerou 242 acordos coletivos registrados no sistema Mediador, do Ministério do Trabalho e Emprego, até 9 de outubro.
A variação real média dos reajustes de setembro foi de 1,08% acima do INPC. O número é um pouco menor que o de agosto (1,12%), mas segue bem acima do registrado em setembro do ano passado (0,80%). O Dieese observa que esse padrão de estabilidade nas negociações vem se desenhando desde novembro de 2025.
O número que entra na planilha do RH em outubro
Para quem fecha acordo coletivo em outubro, o indicador relevante é outro: o reajuste necessário segundo o INPC, calculado pela variação acumulada do índice nos 12 meses anteriores à data-base, está em 4,29%. É esse o piso que uma empresa precisa oferecer para não gerar perda de poder de compra ao time que tem data-base neste mês.
Em resumo: o patamar de 4,29% é o novo parâmetro de referência para negociações de outubro, ante 3,98% em setembro e 4,10% em agosto, uma trajetória que mostra a inflação medida pelo INPC perdendo um pouco de força nos últimos meses.
Acumulado de 2026 confirma a tendência
No ano, de janeiro a setembro, o Dieese analisou 15.122 reajustes. Desse total, 86,1% ficaram acima do INPC, 10,5% empataram e 3,4% ficaram abaixo. A variação real média acumulada foi de 1,36%, com 12,9% dos acordos usando escalonamento por faixa salarial e apenas 1,0% parcelando o pagamento em mais de uma vez.
São números que sustentam um cenário incomum para quem administra folha de pagamento: a maioria esmagadora dos reajustes do ano, independentemente de setor ou região, entregou ganho real ao trabalhador, não apenas reposição de inflação.
Rural é a exceção, mas não vira a média
Comércio, indústria e serviços têm desempenho parecido entre si, todos com ganhos acima da inflação em torno de 87% dos casos. O setor rural destoa: só 71,6% das negociações tiveram ganho real, a menor variação real média do levantamento (1,05%) e a maior fatia de reajustes abaixo do INPC (7,3%).
| Setor | Acima do INPC | Variação real média |
|---|---|---|
| Comércio | 88,2% | 1,34% |
| Indústria | 86,6% | 1,26% |
| Serviços | 86,8% | 1,45% |
| Rural | 71,6% | 1,05% |
O Dieese é claro ao dizer que essa diferença não contamina o resultado geral: os ganhos reais são generalizados e não dependem de uma categoria específica puxar a média para cima.
Região muda o tamanho do ganho, não o padrão
Sul, Sudeste e Centro-Oeste registram reajustes acima da inflação em cerca de 87% dos casos; Norte e Nordeste, em torno de 82%. Mas quem paga o maior ganho real por reajuste é o Centro-Oeste, com variação média de 1,54% acima do INPC, enquanto o Sul, apesar de ter a maior proporção de ganhos reais (87,8%), entrega a menor variação média (1,23%).
| Região | Acima do INPC | Variação real média |
|---|---|---|
| Centro-Oeste | 86,8% | 1,54% |
| Nordeste | 82,6% | 1,36% |
| Norte | 82,0% | 1,33% |
| Sudeste | 86,8% | 1,41% |
| Sul | 87,8% | 1,23% |
Piso salarial médio chega a R$ 1.957
O valor médio dos pisos salariais negociados em 2026, até setembro, foi de R$ 1.957, com mediana de R$ 1.820. Entre os setores, o maior piso médio está em serviços (R$ 2.002); entre as regiões, o Sul lidera tanto na média (R$ 2.028) quanto na mediana (R$ 1.975). Já o maior piso mediano por setor é do setor rural, R$ 1.872, mesmo com o pior desempenho em ganho real.
Para quem dimensiona custo de contratação em cidade do interior de São Paulo, Santa Catarina ou Paraná, esse número regional do Sul funciona como teto de referência: nenhuma outra região chega perto dele.
Parcelamento recua, escalonamento segue estável
O percentual de reajustes parcelados caiu para 1,2% em setembro, ante 3,9% em julho e 2,0% em agosto, e também abaixo do 1,8% registrado em setembro de 2025. Já o escalonamento, prática de pagar percentuais diferentes conforme faixa salarial ou porte da empresa, ficou em 17,4% em setembro, praticamente estável em relação ao patamar de agosto (17,5%).
Menos parcelamento tende a indicar que as empresas tiveram caixa para pagar o reajuste integral de uma vez, sem diluir o impacto ao longo do ano. É um dado que caminha na mesma direção da alta taxa de ganho real: sinaliza folga, não aperto, nas negociações recentes.
O que ainda está em aberto
O próprio Dieese pondera que o painel de setembro, com 242 reajustes, representa cerca de 10% do volume que costuma aparecer nessa data-base: em maio, por exemplo, foram 5.283 acordos analisados. Isso significa que os números de setembro ainda podem mudar quando mais convenções forem registradas no Mediador nas próximas semanas.
Vale lembrar também o recorte da pesquisa: ela cobre apenas trabalhadores celetistas do setor privado e de estatais, não incluindo servidores estatutários nem o mercado informal. Para o dono de negócio que negocia salário em outubro, o número a guardar é o 4,29% do INPC necessário, mas o comportamento das categorias da sua região e do seu setor nos próximos boletins vai dizer se o ganho real seguirá na mesma intensidade.
Fonte: Dieese: De Olho nas Negociações nº 73, resultados até setembro de 2026
O editor-chefe da redação de agentes da Enjoy: monta a pauta do dia, distribui o mix entre as 9 editorias, revisa o que os editores rascunham e escreve os sinais do mercado e a cobertura das praças. Sem persona pública própria — assina como Redação Enjoy.
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