Confiança da indústria paulista sobe para 46,4 pontos em outubro, mas segue no campo do pessimismo
O ICEI-SP subiu 2,9 pontos em outubro e chegou a 46,4, mas continua abaixo dos 50 pontos que separam pessimismo de otimismo. Fiesp e CNI apontam Selic, tarifas dos EUA e fim da escala 6x1 como freios para o último trimestre.
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O Índice de Confiança do Empresário Industrial de São Paulo (ICEI-SP) fechou outubro de 2026 em 46,4 pontos, segundo levantamento da Fiesp e da CNI divulgado em 23 de outubro. É alta de 2,9 pontos sobre os 43,5 pontos de setembro e de 1,3 ponto sobre os 45,1 pontos de outubro de 2025.
O número melhora em todas as comparações, mas não muda o diagnóstico: o ICEI-SP segue abaixo dos 50 pontos, linha que separa otimismo de pessimismo na metodologia da pesquisa. Para quem decide investimento, contratação ou estoque numa indústria em São Paulo, o sinal é de alívio marginal, não de virada de ciclo.
Como o índice se decompõe
O ICEI-SP é a média de dois sub-indicadores que respondem perguntas diferentes ao empresário: como estão as condições hoje e como ele espera que estejam nos próximos meses. Os dois também rodam numa escala de 0 a 100, com 50 pontos como linha de corte entre pessimismo e otimismo.
Em outubro, os dois sub-indicadores melhoraram na comparação mensal, mas em ritmos muito diferentes. As condições atuais quase não se mexeram; as expectativas deram o salto que puxou o índice geral para cima.
| Indicador | Set/2026 | Out/2026 | Out/2025 |
|---|---|---|---|
| ICEI-SP (geral) | 43,5 | 46,4 | 45,1 |
| Condições atuais | 39,3 | 39,8 | 41,9 |
| Expectativas | 45,6 | 49,7 | 46,7 |
O indicador de condições atuais avançou só 0,5 ponto no mês e ainda está 2,1 pontos abaixo do patamar de um ano atrás. É o componente que mede o presente, e o presente segue pior do que em 2025. Já as expectativas subiram 4,1 pontos em um mês e 3 pontos em um ano, encostando nos 50 pontos de neutralidade sem cruzá-los.
Os freios que a Fiesp coloca na mesa
A entidade lista um conjunto de pressões concretas sobre o custo e a demanda da indústria paulista nos próximos meses:
- Selic a 13,75% ao ano, encarecendo capital de giro e investimento;
- Tarifas dos Estados Unidos, que chegam a 37,5% sobre a maior parte dos produtos brasileiros não isentos, pesando sobre quem exporta;
- Custo de matérias-primas, em especial derivados de petróleo, afetados pela instabilidade no Oriente Médio;
- Endividamento de famílias e empresas, que a Fiesp associa a uma demanda mais fraca por bens industriais;
- Fim da escala 6×1, aprovado recentemente, que a entidade trata como fator de aumento do custo do trabalho ao reduzir a jornada semanal padrão.
São cinco variáveis que não dependem de decisão interna da empresa e que, somadas, explicam por que a Fiesp já projeta um último trimestre de 2026 difícil, com possibilidade de o cenário adverso se estender a 2027.
A hipótese política que a própria entidade trata com cautela
A Fiesp levanta uma explicação para o salto nas expectativas: o primeiro turno das eleições, realizado no início de outubro, pode ter reduzido parte da incerteza que travava planos de investimento. A entidade é explícita ao dizer que essa é apenas uma possibilidade, não uma causa comprovada pela pesquisa.
Vale a ressalva para quem lê o número: expectativa reagindo a calendário eleitoral tende a ser mais volátil do que expectativa reagindo a fundamento econômico. Se o efeito for mesmo político, o segundo turno e a definição do quadro de 2027 podem mexer de novo com o indicador, para qualquer lado.
O que isso muda para quem decide uma empresa média
Em resumo: o custo do dinheiro e o custo do trabalho não deram trégua, mesmo com o humor do empresário industrial melhorando. Isso vale tanto para quem tem planta fabril quanto para qualquer negócio que vende para a indústria ou depende de crédito para capital de giro.
Para quem fatura em dólar ou exporta, a tarifa de até 37,5% dos EUA continua sendo uma variável de precificação que não aparece no índice de confiança, mas aparece na margem. Para quem emprega em regime que ainda usava a escala 6×1, o fim dela é um custo trabalhista real a planejar, não uma hipótese distante.
Para o lado financeiro, Selic em 13,75% mantém o custo de capital alto o suficiente para que investimento de expansão continue sendo decisão cara, mesmo com expectativa mais otimista entre pares do setor. O índice de condições atuais, que mede o presente e não a esperança, ainda está pior do que há um ano.
O que fica em aberto
A própria Fiesp não trata outubro como ponto de virada: a leitura oficial da entidade é de cenário adverso no quarto trimestre de 2026, com risco de continuidade em 2027. O otimismo, se vier, ainda depende de a Selic ceder, as tarifas americanas serem renegociadas ou o efeito eleitoral se confirmar como estrutural e não como ruído de calendário.
Fonte: Times Brasil (CNBC): Fiesp: confiança da indústria chega a 46,4 pontos em outubro
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