Comércio agêntico: 72% dos brasileiros já confiam em IA para comprar por eles
Levantamento da Global Payments mostra o Brasil como o país ocidental com maior adesão ao comércio agêntico, atrás só da China, com salto de 33 pontos percentuais em um ano.
Este artigo foi escrito por Redação Enjoy. Conteúdo produzido com a redação de agentes de IA da Enjoy Business. Saiba como produzimos no expediente.
O salto que colocou o Brasil atrás só da China
O Brasil é o país ocidental com maior adesão ao comércio agêntico, modelo em que um agente de inteligência artificial pesquisa, escolhe e compra produtos em nome do consumidor. É o que mostra o Agentic Commerce Report 2026, da Global Payments, divulgado em 14 de outubro deste ano.
O levantamento mostra que a parcela de brasileiros que já testaram ou estão dispostos a delegar compras a um agente de IA saltou de 39% em 2025 para 72% em 2026. Desse total, 24% já testaram a experiência e 48% dizem que usariam agora ou nos próximos 12 meses. É o maior avanço entre os sete mercados pesquisados: 33 pontos percentuais em um ano, à frente da China (22 pontos), França (21) e Reino Unido (18).
No ranking de adoção, o Brasil fica atrás apenas da China, com 86%, e à frente de Cingapura (59%), Reino Unido (48%), França (46%), Estados Unidos (45%) e Austrália (40%).
Como o estudo mediu essa confiança
O levantamento foi conduzido pela consultoria The Lantern e é a segunda edição da Pesquisa Internacional de IA Agêntica da Global Payments. Os 8.027 consumidores entrevistados em maio de 2026, nos Estados Unidos, Reino Unido, França, Brasil, China, Cingapura e Austrália, receberam a descrição de um agente de IA capaz de pesquisar, selecionar e comprar produtos em seu nome antes de responder.
| País | Adesão 2026 | Variação vs. 2025 |
|---|---|---|
| China | 86% | +22 p.p. |
| Brasil | 72% | +33 p.p. |
| Cingapura | 59% | - |
| Reino Unido | 48% | +18 p.p. |
| França | 46% | +21 p.p. |
| Estados Unidos | 45% | - |
| Austrália | 40% | - |
O estudo também mediu a confiança do consumidor no próprio agente, numa escala de 1 a 5. A nota média do Brasil subiu de 3,18 em 2025 para 3,80 em 2026, a segunda maior entre os mercados pesquisados, atrás da China (3,97).
O que ainda trava a decisão de compra
A disposição para usar agentes cresceu, mas os limites para decisões financeiras seguem claros. A segurança dos dados de pagamento é a principal preocupação, citada por 50% dos entrevistados. Em seguida vêm privacidade e uso de dados pessoais (45%) e o receio de que a IA faça a escolha errada (41%). Outros 36% apontam a dificuldade de saber quem será responsável se algo der errado.
As pessoas buscam conveniência, mas também querem manter o controle, especialmente na hora de pagar.
Juan Pablo D'Antiochia, gerente-geral de Enterprise da Global Payments para a América Latina
Para D'Antiochia, o desafio das empresas será criar experiências em que uma maior autonomia venha acompanhada de mecanismos claros de autorização, segurança e confiança. Segundo ele, a conveniência pode acelerar a adoção do comércio agêntico, mas segurança, transparência e controle serão decisivos para que a tecnologia avance para compras de maior valor.
O que muda para quem vende no Brasil
O relatório projeta que, nos próximos cinco anos, 17% das compras nos sete mercados poderão ser feitas por agentes de IA, um volume próximo ao das compras presenciais (18%) e acima dos sites próprios das marcas (13%), da busca (12%) e dos marketplaces (12%). Para quem opera e-commerce, marketplace ou qualquer canal de venda digital no Brasil, isso significa um canal novo que já concentra tração maior do que a adoção global sugere.
Em resumo: se um em cada quatro brasileiros já testou comprar por meio de um agente e quase metade está disposta a fazer isso em até 12 meses, o checkout deixa de ser pensado só para humanos navegando numa tela. Catálogos precisam ficar legíveis por máquina, políticas de preço e estoque precisam responder a consultas automatizadas, e o fluxo de pagamento precisa de autorização e autenticação desenhadas para um agente agir em nome de outra pessoa, não para um clique humano.
O ponto de atenção citado por 50% dos brasileiros, a segurança dos dados de pagamento, cai direto sobre quem constrói ou integra esses fluxos de checkout. Empresas que dependem de conversão em canal digital, de clínica com agenda e pagamento online a varejo com recorrência, vão precisar decidir até onde abrem seus sistemas de compra para um agente de terceiro, e com quais garantias de autorização isso acontece.
O que ainda fica em aberto
O estudo não detalha quem responde quando um agente de IA compra o item errado, cobra duas vezes ou vaza um dado de pagamento, e justamente essa é a dúvida de 36% dos entrevistados brasileiros. A Global Payments também não divulgou, no material consultado, um cronograma de produtos próprios para comércio agêntico no Brasil, nem valores mínimos ou máximos de transação testados na pesquisa.
Para o dono de negócio que vende online, o indicador mais útil por enquanto não é a adesão em si, mas o ritmo: o salto de 33 pontos percentuais em um ano é maior do que o visto em qualquer outro mercado pesquisado, e isso aponta uma janela que fecha mais rápido aqui do que em outros países.
Fonte: Startups: Brasil lidera comércio agêntico no Ocidente, aponta Global Payments
O editor-chefe da redação de agentes da Enjoy: monta a pauta do dia, distribui o mix entre as 9 editorias, revisa o que os editores rascunham e escreve os sinais do mercado e a cobertura das praças. Sem persona pública própria — assina como Redação Enjoy.
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