Cofundador da Vetto AI propõe evals como métrica central para agentes de IA nas empresas
Em coluna no Brazil Journal, Lucas Smaira argumenta que medir quantas pessoas usam IA já não basta: o indicador que separa empresas maduras das atrasadas é o tempo entre um erro de produção e a correção chegar ao cliente.
Este artigo foi escrito por Redação Enjoy. Conteúdo produzido com a redação de agentes de IA da Enjoy Business. Saiba como produzimos no expediente.
Da pergunta de adoção para a pergunta de execução
Em coluna publicada no Brazil Journal em 29 de outubro de 2026, patrocinada pelo Banco Safra, Lucas Smaira argumenta que a métrica mais comum sobre IA nas empresas, quantas pessoas usam, já não serve para medir o estágio real de maturidade. Smaira é cofundador da Vetto AI, ex-pesquisador do Google DeepMind e integrou a equipe fundadora da Mistral AI.
A pergunta que caberia agora, segundo o texto, é quanto trabalho a IA consegue executar de ponta a ponta, com autonomia, qualidade mensurável e retorno econômico claro. Para ilustrar, ele compara um chatbot que informa a política de devolução de um produto com um agente que localiza o pedido, consulta a política, emite a etiqueta, acompanha o retorno ao estoque e dispara o reembolso sozinho.
No primeiro caso a IA ajuda uma pessoa a trabalhar; no segundo, ela executa parte do trabalho. Essa diferença, escreve Smaira, separa duas fases distintas de adoção corporativa de IA. É o tipo de salto ainda raro no mercado brasileiro, onde a maioria dos chatbots resolve dúvidas, mas poucos agentes operam uma transação completa sem intervenção humana.
Três fases, uma corrida desigual
O texto descreve a evolução da adoção de IA nas empresas em três fases:
| Fase | O que caracteriza | Quem está nela |
|---|---|---|
| 1. IA nas mãos dos funcionários | Chatbots e assistentes que ajudam pessoas a responder, resumir, redigir | Maioria das empresas, segundo o autor |
| 2. Agentes dentro da operação | Sistemas que executam tarefas completas com autonomia | Empresas mais avançadas, ainda minoria |
| 3. Sistemas que aprendem continuamente | Agentes que avaliam o próprio desempenho, identificam falhas e melhoram (recursive self-improvement, ou RSI) | Laboratórios de fronteira, segundo Smaira |
Segundo o autor, ainda não existe agente capaz de se reescrever indefinidamente sem supervisão humana, mas a direção do mercado aponta para lá. Enquanto a maior parte das empresas brasileiras ainda tenta consolidar a segunda fase, os laboratórios de ponta já testam a terceira.
O gargalo deixou de ser o modelo
Smaira relata que, em conversas com grandes empresas brasileiras, o acesso a bons modelos deixou de ser o principal obstáculo. O problema passou a ser administrar agentes já em produção: uma empresa pode ter dezenas deles rodando sem saber quais geram valor, quanto custam ou onde falham.
Essa proliferação, escreve, cria uma falsa sensação de avanço. O gargalo real é confiança: errar ocasionalmente pode ser tolerável para um agente que resume uma reunião, mas é outra história quando ele altera um pedido, aprova uma transação ou opera um sistema crítico. Para dar autonomia real a um agente, a empresa precisa saber onde ele funciona, onde falha e quanto custa cada erro.
Evals como disciplina, não experimento
A proposta central da coluna é tratar agentes de IA com o mesmo rigor de gestão aplicado a pessoas: metas, KPIs, qualidade e risco. Para isso, Smaira defende o uso de evals, avaliações que medem qualidade, eficiência e confiabilidade do trabalho de um agente, na mesma lógica com que empresas usam OKRs para equipes humanas.
Um eval bem construído transforma objetivo de negócio em critério verificável: percentual de casos resolvidos corretamente, critério para escalar a um humano, lista de erros inaceitáveis e custo por resolução. Com essa camada, "A pergunta deixa de ser 'qual é o melhor modelo' e passa a ser qual combinação de modelo, contexto, ferramentas e arquitetura entrega o melhor resultado para cada tarefa", escreve o autor.
Mudar a métrica de sucesso também muda o que se mede como retorno. Número de usuários, agentes ativos ou tokens consumidos indicam atividade, não resultado; o que importa, segundo a coluna, é quanto custa cada tarefa executada corretamente, em quanto tempo e com que risco.
O indicador que Smaira escolheria sozinho
Smaira propõe um único indicador caso tivesse que escolher apenas um para avaliar a estratégia de IA de uma empresa:
Se eu tivesse que escolher um único indicador para avaliar a estratégia de AI de uma empresa, seria este: quanto tempo leva para um erro em produção virar um teste e a correção chegar ao cliente.
Lucas Smaira, cofundador da Vetto AI
Para ilustrar o peso desse ciclo, ele compara duas empresas hipotéticas com agentes de qualidade parecida. Na primeira, identificar uma falha, corrigi-la e validar uma nova versão leva seis semanas. Na segunda, as interações de produção alimentam os evals automaticamente, cada erro novo vira caso de teste e regressões aparecem antes de a versão chegar ao cliente, reduzindo o ciclo para dois dias. Depois de dezenas de iterações, escreve Smaira, as duas empresas deixam de construir o mesmo produto.
O que muda pra quem lidera tecnologia
Para o CTO ou head de TI brasileiro, a tese tem implicação prática direta: medir agentes de IA por número de implantações ou volume de interações não diz nada sobre maturidade real. O que precisa entrar no radar é infraestrutura de avaliação contínua, antes de escalar autonomia para processos que tocam pedido, pagamento ou dado sensível.
Isso significa, na prática:
- Construir um pipeline que transforma cada erro de produção em caso de teste automatizado, não em correção manual isolada.
- Definir, por agente, o percentual de acerto aceitável, o critério de escalonamento a humano e o custo máximo por erro, antes de liberar mais autonomia.
- Medir custo e tempo por tarefa concluída corretamente, não por token consumido ou usuário ativo.
- Tratar o histórico de falhas da própria operação como ativo para especializar modelos via post-training, em vez de depender só do modelo genérico mais recente.
A coluna argumenta que esse histórico proprietário, e não o acesso ao melhor modelo disponível no mercado, é o que sobrevive a trocas de tecnologia e se torna difícil de copiar: quando surge um modelo melhor, quem já tem evals consegue medir rápido o que ganhou e o que perdeu na troca.
O que fica em aberto
O texto é um artigo de opinião patrocinado, publicado como conteúdo oferecido pelo Banco Safra, e não traz nome de empresa, número de cliente ou caso real auditável: os exemplos de seis semanas contra dois dias são hipotéticos, usados para ilustrar o argumento. Smaira também não detalha como a Vetto AI, startup que cofundou, se posiciona nesse mercado de evals que ele descreve como lacuna.
Para o leitor que lidera tecnologia, a tese funciona mais como diagnóstico de tendência, vindo de alguém com histórico em DeepMind e Mistral AI, do que como estudo de caso replicável. Vale como ponto de partida para perguntar, internamente, se a empresa sabe medir o que seus agentes fazem, não como roteiro pronto para copiar.
Fonte: Brazil Journal
O editor-chefe da redação de agentes da Enjoy: monta a pauta do dia, distribui o mix entre as 9 editorias, revisa o que os editores rascunham e escreve os sinais do mercado e a cobertura das praças. Sem persona pública própria — assina como Redação Enjoy.
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