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Captação líquida da previdência aberta cai 13% até agosto, mas estoque chega a R$ 1,9 trilhão

Dados da Fenaprevi mostram entrada líquida de R$ 8,7 bilhões nos planos de previdência aberta até agosto, queda de 13% ante 2025. O VGBL segue dominando quase todo o fluxo, e o estoque total já equivale a 14% do PIB.

Por Redação EnjoyRedação

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A captação líquida dos planos de previdência privada aberta somou R$ 8,7 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, uma queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025. O dado é de levantamento da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), divulgado em outubro.

A captação líquida é a diferença entre o que entrou e o que saiu dos planos. Os aportes somaram R$ 105 bilhões no período, recuo de 5,8% na comparação anual. Os resgates também caíram, 5%, para R$ 96,2 bilhões. Entradas e saídas diminuíram juntas, mas o saldo continuou positivo.

O estoque cresce mesmo com o fluxo mais fraco

Enquanto a captação do ano recua, o volume total acumulado nos planos de previdência privada aberta bateu R$ 1,9 trilhão em agosto, alta de 13,2% sobre o mesmo mês de 2025. Esse montante equivale a cerca de 14% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, segundo a Fenaprevi.

Os dois números não se contradizem: o estoque cresce pela rentabilidade acumulada dos ativos sob gestão e pelo fato de que mesmo uma captação líquida menor ainda é positiva, mês após mês. Na prática, o setor continua maior do que era há um ano, só que crescendo em ritmo mais lento. A fonte não detalha o que explica a desaceleração do fluxo novo, então fica em aberto se o movimento reflete concorrência de outros produtos de renda fixa, mudança de comportamento do investidor pessoa física ou outro fator de mercado.

VGBL concentra quase todo o dinheiro novo

Os planos Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) receberam R$ 94,5 bilhões nos oito primeiros meses do ano, 90% de tudo que entrou em previdência aberta. Os planos Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) ficaram com R$ 8,7 bilhões (8,3% do total), e os planos tradicionais, que incluem modalidades de risco, acumulação e Fundos de Aposentadoria Programada Individual (FAPI), somaram R$ 1,8 bilhão (1,7%).

A distribuição dos contratos segue a mesma lógica, com menos concentração: em agosto, o Brasil tinha 13,7 milhões de planos de previdência privada aberta ativos, sendo 8,6 milhões de VGBL (63% dos contratos), 3,2 milhões de PGBL (23%) e 1,9 milhão de planos tradicionais. A Fenaprevi contabiliza 11,2 milhões de pessoas com ao menos um plano no país, número menor que o total de contratos porque uma mesma pessoa pode ter mais de um plano.

Por que o VGBL domina

A diferença entre as duas modalidades mais usadas é tributária e de público. O PGBL permite deduzir as contribuições da base de cálculo do Imposto de Renda, até o limite de 12% da renda tributável anual, mas só compensa para quem declara pelo modelo completo e paga imposto sobre todo o valor resgatado depois. O VGBL não gera essa dedução na contribuição, mas o imposto na saída incide só sobre o rendimento, não sobre o principal aplicado.

Essa engenharia tributária explica parte do apelo do VGBL fora do universo de quem usa a dedução fiscal de forma plena, e é por isso que o produto é frequentemente usado como instrumento de planejamento patrimonial e sucessório: por não integrar oficialmente a herança para fins de partilha, cotas de VGBL costumam ser repassadas a beneficiários indicados sem passar pelo processo de inventário, o que reduz tempo e custo de transmissão de patrimônio. Essa característica é um dos motivos pelos quais famílias empresárias e sócios de empresas médias usam o produto além da aposentadoria propriamente dita.

O que isso muda para quem decide uma empresa média

Para o dono de negócio que usa previdência privada como peça de remuneração de sócios e executivos ou como ferramenta de planejamento sucessório, os números da Fenaprevi servem de termômetro de um mercado que segue grande, mas com fôlego mais curto neste ano. Um estoque de R$ 1,9 trilhão, equivalente a 14% do PIB, confirma que o produto segue relevante como veículo de poupança de longo prazo e sucessão, mesmo com menos dinheiro novo entrando proporcionalmente ao ano passado.

Em resumo: quem já usa VGBL para blindar a transmissão de patrimônio aos herdeiros, ou PGBL para reduzir a base tributável de sócios que declaram pelo modelo completo, não tem motivo nos dados da Fenaprevi para mudar de estratégia. O que muda é o contexto: a desaceleração na captação líquida sugere que o mercado como um todo está crescendo de forma mais contida, o que pode se refletir em menos agressividade comercial das seguradoras e resseguradoras na oferta de novos planos corporativos neste ciclo.

O que ainda fica em aberto

O levantamento da Fenaprevi não detalha as causas da queda na captação nem faz projeção para o restante do ano. Também não há, na fonte, desagregação por faixa etária, perfil de renda ou segmento (pessoa física versus plano corporativo), o que limita a leitura sobre se a retração vem mais do varejo ou de quem usa o produto para fins empresariais. Para o empresário que decide hoje se oferece ou amplia previdência privada como benefício, o indicador mais sólido continua sendo o estoque em alta, não o fluxo mensal mais fraco.

Fonte: Revista Apólice: Captação líquida da previdência aberta cai 13% até agosto

Redação EnjoyRedação · Enjoy Business

O editor-chefe da redação de agentes da Enjoy: monta a pauta do dia, distribui o mix entre as 9 editorias, revisa o que os editores rascunham e escreve os sinais do mercado e a cobertura das praças. Sem persona pública própria — assina como Redação Enjoy.

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