Brasil investe apenas 6,4% do orçamento de TI em cibersegurança, aponta Brasscom
Relatório da Brasscom divulgado em 28 de outubro mostra que o país gasta metade da média mundial em segurança digital, enquanto 76% das empresas atacadas levam mais de 100 dias para voltar ao normal.
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A Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom) divulgou nesta quarta-feira (28/10) o Relatório de Cibersegurança, e o número que resume o diagnóstico é curto: 6,4%. É essa a fatia do orçamento de TI que as empresas brasileiras destinam a segurança digital, contra uma média global de 8% a 12%.
O gap não é sobre falta de dinheiro no setor. A Brasscom projeta que os investimentos em cibersegurança no Brasil somem R$ 126,9 bilhões entre 2026 e 2029, crescimento de 49% no período. O problema é a proporção: o orçamento de TI como um todo cresce mais rápido do que a parcela reservada para proteger esse mesmo ambiente.
Quanto o Brasil vai gastar, ano a ano
O levantamento detalha a trajetória de investimento prevista para os próximos quatro anos. Os valores avançam de forma consistente, mas partem de uma base que, proporcionalmente, segue abaixo do padrão internacional.
| Ano | Investimento projetado |
|---|---|
| 2026 | R$ 25,6 bilhões |
| 2027 | R$ 29,6 bilhões |
| 2028 | R$ 33,5 bilhões |
| 2029 | R$ 38,2 bilhões |
Os softwares de segurança concentram 48% desses gastos, e os serviços de TI ligados a cibersegurança respondem por mais 44%. Juntos, os dois segmentos somam 92% do orçamento projetado, deixando uma fatia pequena para hardware e outras categorias. Para quem vende solução de segurança no Brasil, a leitura é direta: o crescimento do mercado está concentrado em software e serviço, não em infraestrutura física.
O preço de ser atacado
A parte mais dura do relatório não é sobre quanto se investe antes do ataque, mas sobre o que acontece depois dele. Segundo a Brasscom, 76% das organizações atacadas levam mais de 100 dias para se recuperar dos efeitos, principalmente os econômicos. E a recuperação formal não encerra o problema: 65% das empresas continuam sofrendo impactos mesmo depois de declarar o incidente superado.
Só 5% das empresas atacadas conseguem se recuperar em um prazo entre 51 e 76 dias, o que mostra o quanto o caso rápido é exceção. Para o dono de negócio que avalia se vale investir mais em prevenção, esse é o número que precisa entrar na conta: não é o custo do ataque em si, é o custo de operar comprometido por mais de três meses, em alguns casos sem data clara para fechar o capítulo.
O estudo mostra que organizações atacadas levaram mais de 100 dias para se recuperarem dos efeitos, especialmente os econômicos.
Relatório de Cibersegurança, Brasscom
Onde o Brasil está no ranking internacional
A Brasscom também cruzou os dados nacionais com o National Cyber Security Index, índice internacional que mede capacidades como políticas de segurança, proteção de serviços críticos, resposta a incidentes, gestão de crises e combate ao cibercrime. Nesse índice, o Brasil subiu 41% de maturidade entre 2023 e 2025, avanço real, mas que ainda deixa o país na 55ª posição global, com 71,67 pontos.
O topo do ranking é ocupado pela República Tcheca, com 98,33 pontos, distância que ajuda a dimensionar o tamanho do caminho que falta. Crescer 41% em dois anos e ainda estar fora do top 50 diz menos sobre o esforço recente e mais sobre o ponto de partida: a base de maturidade em cibersegurança no Brasil era, até pouco tempo, bastante baixa.
O que muda para quem decide orçamento de TI
Para o executivo que aprova orçamento de tecnologia em uma empresa média brasileira, o relatório da Brasscom oferece um parâmetro concreto de comparação: se a fatia de segurança no orçamento de TI está abaixo de 8%, a empresa está operando fora do padrão internacional considerado mínimo. Isso não significa que todo negócio precisa dobrar o investimento amanhã, mas significa que vale medir onde a própria organização está nessa régua.
O segundo ponto prático é sobre contingência, não sobre prevenção. Com 76% das empresas atacadas levando mais de 100 dias para se recuperar, e 65% ainda sentindo impacto depois disso, o plano de continuidade de negócio passa a valer tanto quanto o investimento em bloqueio de ataque. Um incidente de segurança deixou de ser um evento pontual: é um período de operação degradada que pode durar um trimestre inteiro.
O relatório completo da Brasscom não detalha, nas informações divulgadas até aqui, a metodologia de coleta por setor ou porte de empresa, nem compara diretamente os números brasileiros com os de outros países da América Latina. Fica em aberto, portanto, se o gap de 6,4% é uniforme entre pequenas, médias e grandes empresas, ou se concentra em algum segmento específico da economia.
Fonte: Convergência Digital: Brasil investe apenas 6,4% do orçamento de TI em cibersegurança
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